Caso Hope pressiona por avanço na regulamentação do uso de cannabis na Medicina Veterinária, diz CFMV
06/10/2025 – Atualizado em 06/10/2025 – 2:00pm
A recuperação do cavalo Hope, que apresentou remissão de câncer após tratamento com derivados da cannabis, ganhou repercussão nacional e colocou em evidência a necessidade de avanços regulatórios no Brasil. O episódio reforça que a discussão sobre o uso de fitocanabinoides em animais deixou de ser apenas teórica e já faz parte da realidade clínica veterinária.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) incluiu o uso em animais no plano de ação que trata da regulamentação da cannabis medicinal. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) acompanha esse processo de perto, com intensa articulação da Comissão Nacional de Endocanabinologia Veterinária, presidida pela médica-veterinária Caroline Campagnone. “O caso do Hope mostra que estamos diante de uma mudança concreta na prática clínica. Nosso compromisso é garantir que a regulamentação avance de forma consistente, assegurando segurança jurídica, protocolos claros e autonomia para que o médico-veterinário prescreva de acordo com as necessidades de cada paciente”, afirma.
O CFMV atua como interlocutor junto à Anvisa e ao Ministério da Agricultura, defendendo que as normas contemplem a especificidade veterinária. No âmbito jurídico, também se posiciona como amicus curiae em processos associativos, apoiando a maleabilidade do Judiciário em decisões que favoreçam o acesso a tratamentos de qualidade.
Outro ponto de atenção é a regulamentação do THC, substância reconhecida pela literatura científica como essencial em protocolos contra dor crônica e quadros oncológicos. Para o CFMV, restringir esse canabinoide pode comprometer o acesso dos animais a terapias já validadas. “Se queremos proteger os animais e oferecer alternativas terapêuticas seguras aos responsáveis, é fundamental que a regulação reconheça o valor de todos os compostos da planta”, reforça Campagnone.
Nos próximos meses, o Conselho continuará acompanhando as discussões no STJ, ampliando o diálogo com órgãos reguladores para fomentar o registro de produtos específicos de uso veterinário, incentivando a produção científica nacional e fortalecendo a fiscalização ética e técnica da prescrição. Para Campagnone, o caso do cavalo Hope é mais um alerta. “A ciência precisa caminhar junto com marcos regulatórios que garantam acesso seguro e responsável ao tratamento”, define.
